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Barbalha

Entre o sagrado e o profano

Tempo de leitura: 4min
Festa do Pau da Bandeira em Barbalha

Barbalha desponta no roteiro com a intensidade de sua tradição, enraizada na Chapada do Araripe e moldada pela fé popular. A cidade, vizinha de Juazeiro e Crato, preserva uma identidade própria em cada festa, mirante e ateliê. E, para entendê-la, é preciso começar por um grande espetáculo: a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio.

Celebrada há quase um século, essa manifestação de fé reúne, em poucos dias, quase 350 mil pessoas, aumentando quase cinco vezes a população local, conforme dados de 2025. O ritual do carregamento do Pau da Bandeira, que lembra um mastro hasteado à beira da Igreja Matriz de Santo Antônio, é um espetáculo vivo de devoção e alegria, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Imaterial desde 2019. Quando milhares de mãos se unem ao tronco sagrado, dança, música de reisados e blocos cabaçais se misturam ao sagrado, celebrando o santo casamenteiro de forma profana e intensa.

E, mesmo que a festa seja o momento de destaque, Barbalha transpira cultura o ano todo. No município, destaca-se a Igreja Matriz de Santo Antônio e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, testemunhas do período colonial. Pelas ruas do centro histórico, casas de mestres e mestras da cultura exibem ateliês e museus vivos, onde ofícios como couro, palha de bananeira e crochê são transmitidos de geração em geração. Além disso, vale sentir o artesanato local e descobrir a personalidade de cada criador. 
Dica da BV: Se planeja visitar a Festa de Santo Antônio, programe-se entre o fim de maio e início de junho para presenciar, com calma, o carregamento do mastro, as expressões culturais e a festa que acontece entre as missas, especialmente ao cair da noite, quando o Parque da Cidade vibra em shows e quermesses.
Abre a Dica



Para quem busca tirar o olhar do urbano, há refúgios de natureza nos arredores. O Engenho Tupinambá, relicário vivo do passado rural, e Sítio Pinheiros oferecem contato com a história agroextrativista. Já o Geossítio Riacho do Meio, parte do Geopark Araripe, reserva formações rochosas e ecos de lendas ancestrais, entre cascatas e trilhas. 
 
Complexo Ambiental Mirante do Caldas
Complexo Ambiental Mirante do Caldas

Outra sugestão de passeio é a visita ao Complexo Ambiental Mirante do Caldas. A jornalista Laura Brasil, que trabalha no espaço, descreve o local como “um dos pontos mais privilegiados no Cariri cearense quando se fala de riquezas naturais, turismo e salvaguarda da cultura”. 

Do alto do teleférico que integra o Complexo, é possível avistar as três principais cidades da região – Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, o CraJuBar – com a Chapada do Araripe ao fundo. Além da vista, o espaço abriga trilhas, um borboletário, cafeteria e o Centro de Interpretação Histórica e Ambiental da Chapada do Araripe. “É uma espécie de museu ou livro aberto”, define Laura.
 
Complexo Ambiental Mirante do Caldas (GOV)


O que impressiona os visitantes, segundo ela, é justamente a proximidade entre o cotidiano urbano e uma natureza tão bem preservada. Essa conservação é fruto dos esforços da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Mudança do Clima e do ICMBio, que atuam diretamente na área da Floresta Nacional do Araripe-Apodi, a primeira do Brasil.

Para quem quiser se aprofundar ainda mais, a dica é hospedar-se na Vila do Caldas, que fica no sopé da chapada. Por ali, pousadas familiares têm aquele "charme de casa de vó", trilhas podem ser feitas a pé ou de bicicleta e o Balneário Termas do Caldas abriga fontes de águas termais associadas às primeiras romarias da região, iniciadas por relatos de milagres atribuídos ao Padre Ibiapina

“Se você visita o Cariri, mesmo que por poucos dias, algo fica em você [...] Aqui tem uma energia diferente de qualquer outro lugar onde já fui”, diz Laura.

 
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