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Sertão que pulsa com arte, fé e memória viva

Explore as paisagens, tradições e histórias que tornam cidades do Cariri destinos imperdíveis
Texto por Tainã Maciel | Fotos por Samuel Macedo
Tempo de leitura: 17 minutos
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Antes de ser um nome de mapa, “Cariri” é uma palavra que ecoa ancestralidade. De origem indígena, o termo batiza diferentes territórios do Nordeste – há Cariri em Pernambuco, Paraíba, Alagoas e, claro, no Ceará. Cada região com traços próprios, mas todas marcadas pela força da cultura sertaneja e pelas raízes dos povos originários.

Nesta reportagem, nosso olhar se volta especialmente para o Cariri cearense, onde a natureza exuberante da Chapada do Araripe se encontra com a fé popular, a arte e as memórias que atravessam séculos. Um recorte que revela muito mais do que um destino turístico – um território vivo, onde tradição e reinvenção caminham juntas.

Mapa ilustrado da região do Cariri cearense, com destaques culturais e geográficos

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​Localizado no sul do Ceará, o Cariri é uma das mais vibrantes regiões metropolitanas do interior nordestino, congregando um mosaico de nove municípios que se expandem em torno do chamado “triângulo Crajubar” (Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha). Normalmente, as rotas de ônibus têm como destino no Cariri essas três cidades.

Reconhecida oficialmente em 2009, essa junção urbana ganhou protagonismo econômico e turístico, recebendo cerca de 2,5 milhões de visitantes por ano, a maioria atraída pela fé, mas cativada também pelo patrimônio cultural e ambiental. Além disso, no Cariri, grandes eventos como a Expocrato atraem mais de 100 mil turistas, enquanto a ocupação hoteleira no Crajubar supera 80% durante a alta temporada.
 

Conheça os destinos do Cariri cearense

 
 
Samuel Macedo
 

Olhar que revela o Cariri


Samuel Macedo é quem assina a imagem de capa desta edição dedicada ao Cariri. Fotógrafo e viajante, natural do Crato, ele se define como um “cearense do mundo”. Seu primeiro contato com a fotografia foi ainda na infância, quando seu avô construiu para ele uma câmera escura no princípio da pin hole. “Sem filme e sem papel, a gente não revelava a imagem. Ficava só na minha memória mesmo”, conta.


Foi na Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, que Samuel começou a manipular câmeras profissionais, na década de 1990. Desde então, fez do Cariri não apenas cenário, mas essência do seu trabalho. “Para mim, é onde eu vejo mais beleza, mais possibilidades. Consigo mostrar essas coisas de forma muito rica para as pessoas que precisam vir e conhecer o Cariri profundo”, destaca.

Mesmo tendo percorrido todo o Brasil com suas lentes, o fotógrafo mantém o Cariri como principal inspiração de sua trajetória. Em 2023, inaugurou sua primeira exposição individual, Encantarias Cariri, com retratos de mestres e mestras da cultura popular, sob curadoria de Bitu Cassundé e Fabiana Barbosa. Em 2024, foi vencedor da 10ª edição do Prêmio PIPA, um dos maiores reconhecimentos das artes visuais brasileiras. “O Cariri me deu régua e compasso para olhar para o mundo de uma maneira muito especial, cuidadosa e atenciosa”, afirma.

Samuel acredita que cada registro carrega uma responsabilidade com a memória coletiva. “Eu penso que daqui a alguns anos as pessoas vão olhar essas fotos e vão sentir esse calor, essa energia. É um documento. É história viva”.

 
 

SERVIÇO

Viajar de ônibus pelo Ceará, especialmente pela rota Fortaleza - Cariri, é uma experiência que combina praticidade, conforto e visão panorâmica do sertão. A Expresso Guanabara, uma das maiores empresas rodoviárias do Brasil, oferece partidas ligando Fortaleza a Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Santana do Cariri e Nova Olinda — encaixes na Rota Cariri. Durante o Carnaval de 2025, por exemplo, a empresa ampliou em 50% sua frota no trecho Fortaleza – Juazeiro do Norte, chegando a 33 partidas diárias.

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